Era uma vez uma janela. O menino não comia arroz, então o pai dele nunca lhe deu uma bicicleta.
Moral da história: Bem vindos à vida em sociedade urbanizável moderna!!!!
Eu me pergunto... No dia em que o primeiro hominídeo fez uma cerquinha com pedras e disse "Esse espaço é meu", como viveríamos hoje se os outros encachassassem ele de bolacha e ninguém tivesse seguido aquela idéia? Desde um pedaço da crosta terrestre até cromossomos, temos a idéia que as coisas tem um dono e que esse dono, na maior parte das vezes, somos nós.
Somos tão donos de tudo que pilhamos e destruímos, desde florestas até cidades inimigas. E o que é "nosso" começa com tesouros, armas, mulheres e tudo o que couber entre nossos braços. Até que, um dia, os braços não são suficientes pra medir nossas posses.
Talvez seja natural do bicho homem, já que até aqui na Ameríndia (sic-k) os primeiros Brasileiros tinham uma idéia de posse - o que um pode mexer e o outro não pode.
Claro que isso está ligado ao egoísmo, essa pérola negra da consciência humana. Ah, eu adoro o egoísmo, pena que joguem tanta pedra nele! Sem o egoísmo não seríamos muito do que somos hoje, tanto para o bem quanto para o mal. Na verdade, essa mania taxativa que temos de definir o que presta e o que não presta até no plano dos sentimentos nos deixa bem limitados e cafonas.
Agora, fazendo uma ponte com o subjetivismo, chego a Piracity. Pirabeiraba, essa vila aparentemente simpática no norte do município de Joinville. Pirabeiraba, esse bairro com ares de femme fatale... O egoísmo torna forte a nossa vida em sociedade, em Joinville não é diferente, com um diferencial: o egoísmo por aqui tem uma licença histórica que é quase poética.
O que noto, contudo, é que os traumas do pós-guerra entranhados nos cromossomos dos colonos daqui é diferente do egoísmo que vi em outras cidades. Como já falei antes (e como vou retormar sempre que puder) a vilania dos ladrões de botijão de gás e quadrilhas de risca-faca ainda são o top hot villainy de Joinville e região (ainda mais na região de Pirabeiraba).
Isso, ao meu ver de forasteiro, é inocência. INOCÊNCIA (Pratz batendo na mesa) não é tolice! Essas questões de pureza volta e meia me pegam na contradição, mas é justamente por causa da pureza que acho que amo Joinville. Não me importa a umidade de quase 99%, o mofo que cresce até no cabelo, as chuvas de monsão distribuídas ao longo do ano, o horário de ônibus horrível... Esta terra tem uma característica que não vi em nenhum outro lugar que morei.
Não sei se é a paz, se é o marasmo, se é o ar de grande-coisa que se dá ao que é pequeno... Tem algo nessa cidade que tantos acham desinteressante que a tornou única para mim. Pode ser a mistura de rústico/campestre(Piracity) com a infância metropolitana de Joinville(centro), mas tem algo que torna a terra, e por extensão seus nativos, especiais.
Talvez seja a capacidade de se espantar com uma folha policial que, ao longo de um mês, mal chega a ser comparável com a de uma metrópole. Talvez seja o afã das festas alemãs cheias de chop e sotaques falsete. Talvez seja a avareza de uns e a humildade sincera de outros... É o encanto deste lugar, um encanto que, se não estivesse aqui, entre o Itinga e a Dona Francisca, tornaria este lugar apenas "mais um".
domingo, 1 de novembro de 2009
Assinar:
Comentários (Atom)