"Somos resultado do que fazemos todo dia", como dizia o filósofo.
Porque o pessoal mais "antigo", apegado à tradição, tem medo de ver sua cultura perder-se nas gerações futuras? deixar de lado a tradição é algo tão horrível assim? Por que é mais comum que a tradição seja algo mais forte nas cidades pequenas?
Não quero me aprofundar em áreas como sociologia, por exemplo, enquanto tento explicar isso, mas quantos de nós já pararam para pensar- o que é cultura? Você saberia responder? Acho que é difícil encontrar alguém que tenha essa resposta na ponta língua. Para resumir, costuma-se classificar cultura como o conjunto de idéias e crenças passadas através das gerações, ao longo da história, que ajudam o homem a interagir com o meio ambiente e facilitar sua vida.
Se entendermos esse conceito, também entendemos que é pode ser bem desagradável perder a cultura, se ela é tudo isso que dizem... Mas existem diferentes culturas - repostas diferentes ao meio ambiente geraram idéias e crenças diferentes entre os povos, e ainda geram. A cultura é hereditária, passada para nós de algum modo, seja por nossos pais, nossos professores, a TV na nossa sala ou os jornais de domingo.
Antes, muitas idéias eram incontestáveis - umas por imposição, outras porque não havia modos de se entender a verdade. Exemplo - Não sabíamos, nos tempos antigos, o que provocava a chuva, então era algo divino e pronto. Não havia como discutir, não sabíamos o que poderia fazer chover senão alguma divindade. Mas hoje sabemos que a água evapora, condensa-se e volta para a terra em forma de chuva.
Contudo, quem descobriu o ciclo da água dificilmente morava no campo. Quem publicou teses ou divulgou estudos sobre a chuva não morava em vilas sem recurso, onde a maioria do povo normalmente tinha um grau de instrução menor. Os grandes cientistas, sábios e filósofos da antiguidade moravam em centros cívicos, e de lá seu conhecimento espalhava-se, sendo que nem sempre chegava nas cidadezinhas afastadas. Com a cultura ocorre algo parecido.
Cultura e tradição não são a mesma coisa. Tradições são hábitos de um povo ou grupo, são uma parte da cultura, um conjunto maior. Tradições são mais difíceis de se perder quando se mora longe das cidades grandes, pois nelas é que ocorreram avanços científicos que foram desmistificando várias idéias antigas, lentamente substituindo idéias tradicionais por idéias novas. Desse modo, a cultura em um meio urbano mais desenvolvido sofre mais transformações do que a cultura de uma cidade pequena, distante de novidades científicas.
Hoje isso ainda é muito evidente. Algumas tradições que existem em cidades pequenas também já existiram em cidades grandes, em casos em que os colonizadores foram os mesmos. Mas o conhecimento sempre fluiu muito mais em cidades grandes, e nelas a cultura foi tornando-se mais suscetível às novidades científicas.
Além desse fator, as cidades grandes recebem migrantes, que trazem sua própria cultura. O choque de culturas diferentes vai formando uma cultura homogênea, de modo que na cidade grande a diferença entre culturas fica mais vaga, evidente através das tradições eventualmente mantidas.
Nas cidadezinhas, por outro lado, é bem menos comum culturas de fora misturarem-se à cultura do local. Aqui em Pirabeiraba, por exemplo, as culturas alemã e italiana sempre foram mais evidentes. Com a vinda de grandes fábricas para a região, gente de outros estados veio para cá, e trouxeram sua contribuição para formar a cultura local, uma mistura das culturas de quem vive aqui. Mas como essa mistura é bem mais lenta do que a que ocorre na cidade grande (devido às poucas vezes em que novas culturas vêm para cá), as culturas alemã e italiana ainda são mas evidentes.
Mas apesar das diferenças culturais serem menos pronunciadas ou notadas na cidade grande, ainda assim há grupos de pessoas que lutam contra isso, movimentos infelizmente comuns, que pregam ódio racial, existência de culturas dominantes, e besteiras do tipo, que discriminam algumas culturas e enaltecem outras. Isso não quer dizer que nas cidades pequenas todos vivam em harmonia e respeitosamente. O preconceito é um mal que existe em praticamente todos os lugares, e nas cidades menores não seria diferente. Mas enquanto nas cidades ocorrem grupos ou gangues contra ou à favor de certas culturas, nas cidades pequenas esse preconceito cultural está mais integrado às pessoas do dia-a-dia, é bem mais raro achar grupos nazistas ou coisas do tipo em cidades menores.
Apesar de não haverem grupos que se põe contra uma ou mais culturas, a discriminação está presente, mas não tão pronunciada, na forma de gangues, por exemplo, como ocorre em várias cidades grandes.
Analisando então... A cultura é algo vital para o ser humano, permite uma interação melhor com o meio-ambiente. Ainda que hoje isso seja mais automático do que pensado, perder a cultura seria perder parte da vida, o que justifica as tentativas de se manter tradições e costumes vivos... Nas cidades grandes, devido ao número variado de culturas, ocorre uma integração cultural (além da interferência da cultura global, da nossa "amada" sociedade de consumo), de modo que as diferenças entre as culturas tem muito menos destaque em uma cidade grande do que em uma cidade pequena. Nestas, por sua vez, a variedade de culturas costuma ser menor, quando não estão presentes apenas as culturas dos povos colonizadores. Porque nas cidadezinhas as diferenças culturais são mais evidentes (evidenciadas de vários modos, com celebrando tradiçoes que tornam alguma cultura única), há a impressão de que nas cidades grandes a cultura não é um assunto de destaque, e que os cidadãos não valorizam suas culturas, não dão atenção às suas tradições. O que na maioria das vezes não ocorre. Só porque a cultura e a tradição estão menos evidentes em uma cidade grande, não quer dizer que não estejam presentes.
Mas apesar disso, não é todo negro que celebra a cultura africana, não é todo índio que celebra a cultura ameríndia, não é todo descendente de colozinadores que celebra a cultura européia... Não se pode esperar que alguém siga uma cultura por causa de seus antepassados - mudam os tempos, mudam as idéias, e mudamos nós. Existem cidades grandes onde a cultura é um assunto bem mais presente no cotidiano do que em algumas cidades pequenas, existem cidades colonizadas por certa etnia que hoje não apresentam quase nenhum vínculo com as tradições de seus antepassados... Cultura é algo muito vago para se falar quando comparando cidades pequenas com cidades grandes, o que ocorre em uma pode ocorrer na outra. Mas é importante falar disso e pensar nisso, para que o pessoal da cidade grande lembre que não vive sem sua cultura (ainda que seja uma "cultura urbana", sem maiores disitinções, mistura de várias culturas). Também é bom lembrar que o pessoal das cidades pequenas não dá mais valor às suas tradições e culturas do que quem mora em cidades grandes, são apenas pontos de vista diferentes, no final - na cidade pequena, as diferenças culturais costumam ser mais evidentes, enquanto na cidade grande elas perdem luz quando comparadas com outros assuntos - tipo "como sobreviver na cidade grande".
Eu tinha dito que não queria entrar muito em áreas como sociologia... bem, agora é bom eu retirar o que eu disse... Se você leu cada linha até chegar à essa, seu estado deve ser um dos três abaixo:
1 - Se você leu tudo e entendeu pelo menos a conclusão, de verdade, vou precisar que voce me explique o que eu quis dizer...
2 - Se você leu tudo e entendeu algumas coisas, mas não muito, não se preocupe, eu também penso assim =)
3 - Se você leu tudo e não entendeu nada, não se preocupre, você é normal. (Eu já disse que pessoas normais são estranhas?)
*** cFTla
domingo, 20 de janeiro de 2008
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Outro post, enfim! O blog sobreviveu à sua primeira "noite escura da alma"!
Se bem me lembro, no último post eu falava sobre as defesas das cidades pequenas contra o que vêm de fora. No caso de Pirabeiraba, por exemplo, o que ilustra essa idéia é o fato do pessoal daqui sentir-se desconfiado de quem vem de fora ou de quem não é de tradição alemã ou italiana (vide o caso do velhinho e da fotógrafa carioca, citado anteriormente...).
A raiz por traz desse aparente princípio de xenofobia (não sou freudiano ¬¬) seria o medo de ter a cultura/tradição desfeita pela cultura de outros?
Nesse ponto é para se perguntar - existe uma cultura urbana, totalmente diferente da cultura de uma cidade pequena e tradicional? Nas cidades grandes, a cultura é uma noção mais aberta e receptiva - Em São Paulo, por exemplo, está acontecendo a comemoração da Imigração Japonesa, e isso é uma celebração de tradições mantidas com orgulho e carinho pelos descendentes.
Aqui em Joinville, a tradição alemã e a tradição italiana são mantidas com esmero, mas os esforços para fazê-lo são bem menos notáveis do que as celebrações da cultura nipônica, no exemplo do parágrafo acima. A questão é - nas cidades pequenas e tradicionais a cultura do povo fica mais enraizada e não precisa ser celebrada para ser mantida? Ou seja, a tradição dos antepassados já está presente no dia-a-dia, sem que tenham que haver comemorações para mostrar que ela ainda existe? E as tradições na cidade grande precisam ser celebradas volta e meia para não serem esquecidas? Não acho que seja assim.
Em Pirabeiraba, achar que o pessoal dos grandes centros urbanos não dá valor à cultura de seus antepassados já é uma idéia formada na cabeça do pessoal mais tradicional. E, claro, a culpa sempre é dos jovens, que "aceitam apenas a cultura da mídia e esquecem suas próprias raízes"... Não sei como estão as coisas nas outras cidadezinhas e lugarejos, mas aqui em Pirabeiraba a coisa não é assim. Os jovens que aqui moram (pedra na gente!) não são ícones da cultura alemã ou italiana. Muitos não falam nenhuma palavra nas línguas de seus ancestrais colonos (exceto hund, que é uma palavra básica). Muitos também não suportam músicas alemãs, outros não agüentam nem músicas italianas das novelas da Globo. Normal, claro, pois cada um é cada um.
Mas os "tradicionais" das cidades pequenas reclamam muito mais de uma fantasiosa falta de cultura na cidade grande do que da perda lenta de cultura nos seus próprios descendentes. Na escola em que eu estudei, o Akon era muito mais famoso do que o Waldviertler Nätche, por exemplo. Ainda que um ou outro saiba falar algumas frases em alemão, isso não é manter a cultura, tal como estão fazendo os nisseis em São Paulo.
A cultura européia que os descendetes de colonos daqui prezam tanto não é mais tão européia assim. Ninguém na Alemanha se veste mais como o pessoal daqui costuma se caracterizar nas festas típicas. É importante dar valor à tradição e manter o olho aberto sobre o que a mídia e os EUA empurram pra gente, mas é muito mais importante manter a mente e os sentidos abertos para todas as influências culturais. Negar uma cultura diferente ou julgar os jovens ou o pessoal da cidade grande como sem-cultura é uma falta muito grave do pessoal tradicional de algumas cidades pequenas.
O bom é que moramos no Brasil, e nada aqui fica intacto, quieto... Tudo está sempre se transformando, mudando, ficando com mais cara de brasileiro. A cultura do alemão se mistura com a do índio, que se misturam com a do português, que se misturam com a do italiano, e assim vai... O pessoal tradicional celebra a tradição alemã, como é o caso daqui, mas vivem a cultura brasileira no seu dia-a-dia...
Mas na verdade é bem difícil caracterizar a cultura brasileira. Até hoje ninguém sabe dizer direito que idéias ou símbolos unem o pessoal todo do Chuí ao Oiapoque... Tem a cachaça, o carnaval e o futebol, e aquela idéia de que brasileiro é piadista, sempre ri de tudo e, claro, dá o famoso jeitinho brasileiro pra se safar de certas situações... mas isso é muito pouco para formar uma identidade brasileira (para não mencionar o fato do pessoal daqui ser totalmente indiferente ao carnaval).
Talvez seja essa a identidade brasileira - as muitas culturas de quem era daqui e de quem veio de fora, juntas, formando algo que nunca vai ter uma cara só, mas que já não se separa mais.
Só que depois desse momento professor de geografia, ficam aquelas perguntas - por que o pessoal mais tradicional, seja de cidadezinhas ou de cidade grande, tem medo de ver a tradição perdida entre as gerações futuras? Por que tem gente de cidade grande que não entende o apego à tradição do pessoal das cidades pequenas, e por que o pessoal dessas cidadezinhas costuma pensar que o pessoal da cidade grande não zela mais por sua herança cultural?
Responderei no próximo post, por que quanto mais tarde ficar, maior fica o risco de eu falar alguma besteira terrível (espero não ter falado nenhuma até agora hehehe).
Se bem me lembro, no último post eu falava sobre as defesas das cidades pequenas contra o que vêm de fora. No caso de Pirabeiraba, por exemplo, o que ilustra essa idéia é o fato do pessoal daqui sentir-se desconfiado de quem vem de fora ou de quem não é de tradição alemã ou italiana (vide o caso do velhinho e da fotógrafa carioca, citado anteriormente...).
A raiz por traz desse aparente princípio de xenofobia (não sou freudiano ¬¬) seria o medo de ter a cultura/tradição desfeita pela cultura de outros?
Nesse ponto é para se perguntar - existe uma cultura urbana, totalmente diferente da cultura de uma cidade pequena e tradicional? Nas cidades grandes, a cultura é uma noção mais aberta e receptiva - Em São Paulo, por exemplo, está acontecendo a comemoração da Imigração Japonesa, e isso é uma celebração de tradições mantidas com orgulho e carinho pelos descendentes.
Aqui em Joinville, a tradição alemã e a tradição italiana são mantidas com esmero, mas os esforços para fazê-lo são bem menos notáveis do que as celebrações da cultura nipônica, no exemplo do parágrafo acima. A questão é - nas cidades pequenas e tradicionais a cultura do povo fica mais enraizada e não precisa ser celebrada para ser mantida? Ou seja, a tradição dos antepassados já está presente no dia-a-dia, sem que tenham que haver comemorações para mostrar que ela ainda existe? E as tradições na cidade grande precisam ser celebradas volta e meia para não serem esquecidas? Não acho que seja assim.
Em Pirabeiraba, achar que o pessoal dos grandes centros urbanos não dá valor à cultura de seus antepassados já é uma idéia formada na cabeça do pessoal mais tradicional. E, claro, a culpa sempre é dos jovens, que "aceitam apenas a cultura da mídia e esquecem suas próprias raízes"... Não sei como estão as coisas nas outras cidadezinhas e lugarejos, mas aqui em Pirabeiraba a coisa não é assim. Os jovens que aqui moram (pedra na gente!) não são ícones da cultura alemã ou italiana. Muitos não falam nenhuma palavra nas línguas de seus ancestrais colonos (exceto hund, que é uma palavra básica). Muitos também não suportam músicas alemãs, outros não agüentam nem músicas italianas das novelas da Globo. Normal, claro, pois cada um é cada um.
Mas os "tradicionais" das cidades pequenas reclamam muito mais de uma fantasiosa falta de cultura na cidade grande do que da perda lenta de cultura nos seus próprios descendentes. Na escola em que eu estudei, o Akon era muito mais famoso do que o Waldviertler Nätche, por exemplo. Ainda que um ou outro saiba falar algumas frases em alemão, isso não é manter a cultura, tal como estão fazendo os nisseis em São Paulo.
A cultura européia que os descendetes de colonos daqui prezam tanto não é mais tão européia assim. Ninguém na Alemanha se veste mais como o pessoal daqui costuma se caracterizar nas festas típicas. É importante dar valor à tradição e manter o olho aberto sobre o que a mídia e os EUA empurram pra gente, mas é muito mais importante manter a mente e os sentidos abertos para todas as influências culturais. Negar uma cultura diferente ou julgar os jovens ou o pessoal da cidade grande como sem-cultura é uma falta muito grave do pessoal tradicional de algumas cidades pequenas.
O bom é que moramos no Brasil, e nada aqui fica intacto, quieto... Tudo está sempre se transformando, mudando, ficando com mais cara de brasileiro. A cultura do alemão se mistura com a do índio, que se misturam com a do português, que se misturam com a do italiano, e assim vai... O pessoal tradicional celebra a tradição alemã, como é o caso daqui, mas vivem a cultura brasileira no seu dia-a-dia...
Mas na verdade é bem difícil caracterizar a cultura brasileira. Até hoje ninguém sabe dizer direito que idéias ou símbolos unem o pessoal todo do Chuí ao Oiapoque... Tem a cachaça, o carnaval e o futebol, e aquela idéia de que brasileiro é piadista, sempre ri de tudo e, claro, dá o famoso jeitinho brasileiro pra se safar de certas situações... mas isso é muito pouco para formar uma identidade brasileira (para não mencionar o fato do pessoal daqui ser totalmente indiferente ao carnaval).
Talvez seja essa a identidade brasileira - as muitas culturas de quem era daqui e de quem veio de fora, juntas, formando algo que nunca vai ter uma cara só, mas que já não se separa mais.
Só que depois desse momento professor de geografia, ficam aquelas perguntas - por que o pessoal mais tradicional, seja de cidadezinhas ou de cidade grande, tem medo de ver a tradição perdida entre as gerações futuras? Por que tem gente de cidade grande que não entende o apego à tradição do pessoal das cidades pequenas, e por que o pessoal dessas cidadezinhas costuma pensar que o pessoal da cidade grande não zela mais por sua herança cultural?
Responderei no próximo post, por que quanto mais tarde ficar, maior fica o risco de eu falar alguma besteira terrível (espero não ter falado nenhuma até agora hehehe).
****** Assunto extra-blog ******
Como o blog virou meu espaço de comunicação (ou pelo menos de desabafo), vou comentar sobre algo que me deixou até meio revoltado esses dias. Não sou muito ligado em futebol, muito menos quando se trata de mídia futebolística... Mas eu soube que o Kaká doou seu último troféu (Melhor do Mundo em 2007, eleito pela FIFA) para seus "guias espirituais" - a bispa Sônia e o marido dela, os cabeças da Igreja Renascer em Cristo.
Não estou atacando a igreja nem a fé dos devotos dela, mas será que o Kaká é tão mentalmente incapacitado para não estar a par dos escândalos em que se envolveram seus adorados gurus? Para quem não sabe ou não lembra, a bispa Sônia e o marido dela, Hernandes (cujo título deve ser pastor, se não me engano), foram presos nos EUA quando tentaram entrar com um porrilhão de dólares não declarados. Não podemos condenar, porque muita gente não faz isso só porque não tem esse dinheiro, mas eles dois deviam ser exemplo... São gente pública, e como se não bastassem, líderes espirituais, o que eles dizem deve ter o máximo de cuidado e atenção, pois a atenção com que os fiéis irão escutar suas palavras também vai ser a máxima.
Se as palavras do casal da Renascer já são um instrumento poderoso para influenciar os fiéis, suas ações são ainda mais. Mas o incrível é que apesar deles estarem presos nos EUA e respondendo a vários processos de estelionato, o número de fiéis da Renascer em Cristo aumentou muito nos últimos dias.
Eles, pregando o que pregam, falando de quem falam, ligados à Cristo, deveriam ser os priemeiros a dar o exemplo de humildade e honestidade... Sonegar todo aquele dinheiro de origem duvidosa é algo bem condenável aos olhos cristãos, creio eu... Vai ver os dois ainda não renasceram em Cristo.
Mas foi o cúmulo aquele jogador pateta doar para eles o troféu que ganhou com o próprio esforço. Claro que o prêmio é dele, mas parece que o mérito não. Desde os tempos em que ele era reserva ele dava duro para mostrar que tinha futuro, e agora que está na mídia, faz uma tolice dessas... Doar o troféu para seus "líderes espirituais" é a prova de que ele se considera incapaz de conquistar qualquer mérito sem ajuda divina. Se ele crê que o sucesso depende não de esforço e persistência, mas de rezar no último volume e pagar o dízimo, então todos aqueles que trabalham duro para ter uma vida melhor estão errados, deviam entregar nas mãos de Deus e esperar o melhor, pois não importa o quanto eles se esforcem, são incapacitados e só conseguirão algo de bom para suas vidas se estiverem sendo guiados espiritualmente.
Desse modo, não sei como o Kaká explicaria a existência de ateus ricos, e nem se ele tem assistido tv do Brasil nos últimos meses para ver seus gurus sonegando a glória que alcançaram com o auxílio de Cristo... mas não acho que eles tenham condições morais para serem guias de qualquer coisa, nem de guias de como sonegar na alfândega, pois nem nisso foram bem-sucedidos...
O céu ajuda a quem se ajuda, já dizia Esopo - e ele era grego e pagão. Se o Kaká acha que é melhor dar o crédito todo ao Céu, então ele devia dizer a FIFA que não foi graças ao talento dele que chegou a ser melhor jogador do mundo, mas sim ao melhor jogador do céu, que deve ter jogado por ele assim que ele começou a seguir seus guias espirituais, exemplos de honestidade e integridade...
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Nossa, primeira semana do blog e eu já vou deixar um dia sem escrever sobre o assunto... pior, não vou poder escrever nada, só estas linhas, deixando escrito que não vou escrever nada...
Espero poder escrever sábado, mas como eu não arrebato multidões com meus atuais escritos, não preciso prometer que vou tentar escrever algo amanhã...
boa noite, até o próximo post.
Espero poder escrever sábado, mas como eu não arrebato multidões com meus atuais escritos, não preciso prometer que vou tentar escrever algo amanhã...
boa noite, até o próximo post.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Como eu havia dito ontem, eu iria terminar a descrição de Pirabeiraba de uma forma rápida e partir para uma primeira comparação - entre alguém que mora em um bairro como o meu, zona rural, e alguém que more nas áreas centrais da cidade...
Bem, relendo o meu post anterior de ontem, percebo que já falei o bastante sobre Pirabeiraba, então vou direto para o que eu quero falar.
> Pirabeiraba X Joinville(Centro)
Quem mora em Sampa deve ter uma idéia bem formada sobre o interior, onde, reza a lenda, todo mundo fala com o r puxado característico do interiorrrr. Então eu posso dizer que Pirabeiraba é o interiorrrr para quem mora no centro de Joinville. O pessoal das áreas centrais costuma pensar que aqui é um monte de casas alemãs no meio do mato, bem longe da área central e do perímetro urbano. Nem é tão longe assim, menos de meia hora de carro e voce já está perto do Shopping Muëller, o maior de Joinville. Quem vai de ônibus, contudo, tem mais problemas, porque as linhas que nos levam até os terminais do centro são poucas, e depois das 23:00 quem estiver no centro não volta mais pra casa...
Mas então, por que os joinvillenses mais urbanos pensam que aqui é o meio do mato e nós não pensamos isso deles? Pra começar, claro, é porque eles nunca vem aqui, enquanto nós vivemos indo para a área central...
Além desse motivo óbvio, creio eu, ainda há outra razão forte para que Pirabeiraba esteja associado à mato e falta de civilização. Essa razão, contudo, está longe de ser exclusiva dos joinvillenses. É, na verdade, uma idéia enraizada na nossa cultura, parte da ideologia que invade o modo de pensar da maioria dos brasileiros...
O namorado de uma amiga minha ficou impressionado quando viu uma agência do Banco do Brasil aqui em Piracity. Vai ver ele achava que o pessoal daqui guarda o dinheiro debaixo do colchão. Bem, e ainda guardam sim. Mas tem agência do Banco do Brasil mesmo assim.
Não é só dos joinvillenses associar zona rural com alguns sítios e casinhas, animais no quintal e plantações, povo simples e, para os que tem mente mais aberta, energia elétrica (¬¬)
Depois de ter morado em três capitais - São Paulo(SP), Maceió (AL) e Vitória (ES), ter vindo para Pirabeiraba não foi necessariamente um choque. Em parte, porque eu já tinha morado em um lugarejo ainda mais morto - São Francisco do Sul, SC, mas essa em compensação ganha vida durante a temporada, uma vez que é cidade litorânea, de veraneio.
Mas de qualquer jeito, é um choque voce chegar em uma cidade à uma hora da tarde e encontrar todo o comércio fechado, como se fosse feriado, e sem nenhuma alma na rua, como se fosse uma cidade fantasma. Pois é, levei esse choque quando cheguei aqui, até entrar no ritmo do lugar leva certo tempo, e demora ainda mais para que voce se sinta em uma nova casa, porque o pessoal não ajuda muito...
À excessão de Vitória, quando voce chega em um lugar mais urbano, as pessoas não se preocupam muito de voce nasceu ali ou veio de fora. Como não há muita união entre os cidadãos, tanto faz se o novo vizinho é forasteiro ou nasceu no hospital da cidade.
Mas aqui em Pirabeiraba, assim como acontece em muitas cidades pequenas, parece que há muita união entre as pessoas, se você veio de fora eles olham voce da cabeça aos pés, o que faz parecer que "Forasteiro" está estampado na sua testa. Parece ruim para quem chega, e é mesmo desconfortável se sentir um peixe fora d'água, ás vezes até excluido de alguns grupos, mas como eu já estou aqui há alguns anos, eu percebi que essa é a primeira linha de defesa contra "invasores";
Linha de defesa? Nossa, o blogger bebeu muito chop? Não, mas é uma forma de dizer o quanto o pessoal daqui busca se preservar do que vem de fora, mesmo as gerações atuais. A primeira forma de proteção é a própria aura de mito que envolve a cidade pequena, a zona rural - é e não é útil para as pessoas daqui que as pessoas de fora achem que Pirabeiraba é um mato sem graça, porque já faz alguém pensar duas vezes antes de vir de mala e cuia pra cá.
Mas quem vem pra cá, pra morar ou não, ainda assim enfrenta uma resistência por parte dos moradores. Quem foi de uma cidade grande pra uma cidade pequena deve saber do que eu falo - o pessoal é bem fechado, ainda mais quando são apegados à tradição... Aqui, colônia alemã, o povo é ainda mais reservado, demorei um ano para começar a dizer oi para minha vizinha atual, e dois anos para puxar assunto com minha outra vizinha, que eu quase nunca via. E eu nem sou antisocial.
Quem gosta de fazer amizades onde chega sofre um pouco quando cai no meio de um monte de gente que forma os próprios grupos e é fechada à quem vem de fora. Mas quem mora em cidade grande sabe que não se encontra tanta violência em uma cidade pequena, por exemplo. E nesse ponto, o pessoal de uma cidadezinha é igual ao pessoal urbano - temos medo das mesmas coisas, que a violência, por exemplo, invada nossa cidade, cresça e transforme-a em algo impossível de se habitar. Mas enquanto quem mora na cidade grande já viu a violência chegar e crescer, quem mora numa cidadezinha tem muito mais medo, simplesmente por desconhecer a realidade dos crimes de uma cidade grande.
A página policial de um mês em Joinville não equivale nem à página policial de uma semana em São Paulo. mesmo assim, o pessoal reclama, fala que as coisas estão ficando cada vez mais difíceis, que a violência está aumentando... Em parte, isso acompanha o crescimento da cidade, mas os joinvillenses estão reclamando além do que parece cabível. Em Pirabeiraba então, a coisa fica ainda mais crítica:
A sobrinha de uma vizinha veio do Rio de Janeiro visitar a tia, e como gostou daqui ela foi dar um passeio para tirar fotos das casas, das ruas... Encontrou um velhinho, que a cumprimentou e perguntou se ela era fotógrafa. Ela achou engraçado, disse que não, que era carioca e só estava tirando fotos porque gostou da cidade. Despediram-se e cada um segui seu caminho, ela tirando fotos, mas o velinho... Até hoje ela não entende porque ele foi até a delegacia avisar a polícía que tinha uma pessoa estranha, carioca, tirando fotos das casas. Na certa ele achou que ela estava fazendo um Book da cidade para vender para os assaltantes cariocas.
E o pior é que dois policias foram até onde ela estava, com viatura e tudo, perguntado porque ela estava tirando fotos...
Mas não é só o medo da violência que faz as pessoas de Pirabeiraba ou de cidades pequenas se fecharem diante de forasteiros, mas como eu não sou nem louco de alongar esse assunto, fica para amanhã.
Aprendemos hoje que:
- Se voce é de cidade grande, nao saia por aí tirando fotos de cidades pequenas, e se encontrar um velhinho na rua, esconda a câmera.
- Se voce é de cidade pequena, só suspeite de um fotógrafo se ele esconder a câmera quando ver você.
Boa noite povo!
Bem, relendo o meu post anterior de ontem, percebo que já falei o bastante sobre Pirabeiraba, então vou direto para o que eu quero falar.
> Pirabeiraba X Joinville(Centro)
Quem mora em Sampa deve ter uma idéia bem formada sobre o interior, onde, reza a lenda, todo mundo fala com o r puxado característico do interiorrrr. Então eu posso dizer que Pirabeiraba é o interiorrrr para quem mora no centro de Joinville. O pessoal das áreas centrais costuma pensar que aqui é um monte de casas alemãs no meio do mato, bem longe da área central e do perímetro urbano. Nem é tão longe assim, menos de meia hora de carro e voce já está perto do Shopping Muëller, o maior de Joinville. Quem vai de ônibus, contudo, tem mais problemas, porque as linhas que nos levam até os terminais do centro são poucas, e depois das 23:00 quem estiver no centro não volta mais pra casa...
Mas então, por que os joinvillenses mais urbanos pensam que aqui é o meio do mato e nós não pensamos isso deles? Pra começar, claro, é porque eles nunca vem aqui, enquanto nós vivemos indo para a área central...
Além desse motivo óbvio, creio eu, ainda há outra razão forte para que Pirabeiraba esteja associado à mato e falta de civilização. Essa razão, contudo, está longe de ser exclusiva dos joinvillenses. É, na verdade, uma idéia enraizada na nossa cultura, parte da ideologia que invade o modo de pensar da maioria dos brasileiros...
O namorado de uma amiga minha ficou impressionado quando viu uma agência do Banco do Brasil aqui em Piracity. Vai ver ele achava que o pessoal daqui guarda o dinheiro debaixo do colchão. Bem, e ainda guardam sim. Mas tem agência do Banco do Brasil mesmo assim.
Não é só dos joinvillenses associar zona rural com alguns sítios e casinhas, animais no quintal e plantações, povo simples e, para os que tem mente mais aberta, energia elétrica (¬¬)
Depois de ter morado em três capitais - São Paulo(SP), Maceió (AL) e Vitória (ES), ter vindo para Pirabeiraba não foi necessariamente um choque. Em parte, porque eu já tinha morado em um lugarejo ainda mais morto - São Francisco do Sul, SC, mas essa em compensação ganha vida durante a temporada, uma vez que é cidade litorânea, de veraneio.
Mas de qualquer jeito, é um choque voce chegar em uma cidade à uma hora da tarde e encontrar todo o comércio fechado, como se fosse feriado, e sem nenhuma alma na rua, como se fosse uma cidade fantasma. Pois é, levei esse choque quando cheguei aqui, até entrar no ritmo do lugar leva certo tempo, e demora ainda mais para que voce se sinta em uma nova casa, porque o pessoal não ajuda muito...
À excessão de Vitória, quando voce chega em um lugar mais urbano, as pessoas não se preocupam muito de voce nasceu ali ou veio de fora. Como não há muita união entre os cidadãos, tanto faz se o novo vizinho é forasteiro ou nasceu no hospital da cidade.
Mas aqui em Pirabeiraba, assim como acontece em muitas cidades pequenas, parece que há muita união entre as pessoas, se você veio de fora eles olham voce da cabeça aos pés, o que faz parecer que "Forasteiro" está estampado na sua testa. Parece ruim para quem chega, e é mesmo desconfortável se sentir um peixe fora d'água, ás vezes até excluido de alguns grupos, mas como eu já estou aqui há alguns anos, eu percebi que essa é a primeira linha de defesa contra "invasores";
Linha de defesa? Nossa, o blogger bebeu muito chop? Não, mas é uma forma de dizer o quanto o pessoal daqui busca se preservar do que vem de fora, mesmo as gerações atuais. A primeira forma de proteção é a própria aura de mito que envolve a cidade pequena, a zona rural - é e não é útil para as pessoas daqui que as pessoas de fora achem que Pirabeiraba é um mato sem graça, porque já faz alguém pensar duas vezes antes de vir de mala e cuia pra cá.
Mas quem vem pra cá, pra morar ou não, ainda assim enfrenta uma resistência por parte dos moradores. Quem foi de uma cidade grande pra uma cidade pequena deve saber do que eu falo - o pessoal é bem fechado, ainda mais quando são apegados à tradição... Aqui, colônia alemã, o povo é ainda mais reservado, demorei um ano para começar a dizer oi para minha vizinha atual, e dois anos para puxar assunto com minha outra vizinha, que eu quase nunca via. E eu nem sou antisocial.
Quem gosta de fazer amizades onde chega sofre um pouco quando cai no meio de um monte de gente que forma os próprios grupos e é fechada à quem vem de fora. Mas quem mora em cidade grande sabe que não se encontra tanta violência em uma cidade pequena, por exemplo. E nesse ponto, o pessoal de uma cidadezinha é igual ao pessoal urbano - temos medo das mesmas coisas, que a violência, por exemplo, invada nossa cidade, cresça e transforme-a em algo impossível de se habitar. Mas enquanto quem mora na cidade grande já viu a violência chegar e crescer, quem mora numa cidadezinha tem muito mais medo, simplesmente por desconhecer a realidade dos crimes de uma cidade grande.
A página policial de um mês em Joinville não equivale nem à página policial de uma semana em São Paulo. mesmo assim, o pessoal reclama, fala que as coisas estão ficando cada vez mais difíceis, que a violência está aumentando... Em parte, isso acompanha o crescimento da cidade, mas os joinvillenses estão reclamando além do que parece cabível. Em Pirabeiraba então, a coisa fica ainda mais crítica:
A sobrinha de uma vizinha veio do Rio de Janeiro visitar a tia, e como gostou daqui ela foi dar um passeio para tirar fotos das casas, das ruas... Encontrou um velhinho, que a cumprimentou e perguntou se ela era fotógrafa. Ela achou engraçado, disse que não, que era carioca e só estava tirando fotos porque gostou da cidade. Despediram-se e cada um segui seu caminho, ela tirando fotos, mas o velinho... Até hoje ela não entende porque ele foi até a delegacia avisar a polícía que tinha uma pessoa estranha, carioca, tirando fotos das casas. Na certa ele achou que ela estava fazendo um Book da cidade para vender para os assaltantes cariocas.
E o pior é que dois policias foram até onde ela estava, com viatura e tudo, perguntado porque ela estava tirando fotos...
Mas não é só o medo da violência que faz as pessoas de Pirabeiraba ou de cidades pequenas se fecharem diante de forasteiros, mas como eu não sou nem louco de alongar esse assunto, fica para amanhã.
Aprendemos hoje que:
- Se voce é de cidade grande, nao saia por aí tirando fotos de cidades pequenas, e se encontrar um velhinho na rua, esconda a câmera.
- Se voce é de cidade pequena, só suspeite de um fotógrafo se ele esconder a câmera quando ver você.
Boa noite povo!
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
O segundo post sempre é um bom sinal. Significa que não desistimos do blog um dia depois dele ter sido criado...
Hoje eu iria falar sobre tradição e raízes culturais, mais é muito pesado pra um segundo post. Como não quero que o SimpliCidade fique apenas na esfera de quem conhece Pirabeiraba ou Joinville, vou deixar esse segundo post para apresentar um pouco melhor o lugar em que eu estou morando, vai ajudar a criar uma idéia de como é morar em um lugarejo como Pirabeiraba...
Como nunca gostei de história do Brasil, vou pular a parte em que os colonos alemães foram convencidos a deixar a Alemanha pela companhia colonizadora de Hamburgo e vir até o Brasil na Barca Colon, sem nem ter idéia do que veriam por aqui. O fato é que quando chegaram certamente não era nada parecido com o que deviam estar imaginando, fosse para melhor ou para pior. Afinal, Brasil é Brasil, quem é brasileiro sabe.
Morar em Pirabeiraba é bom para quem gosta de um toque medieval na vida. Se houvesse uma paliçada ao redor da vila, então! Só há duas entradas principais na cidade, uma pela mal-afamada BR-101, e a outra pela estrada que leva até Joinville (na verdade não leva "até Joinville", pois Pirabeiraba está em Joinville, então o pessoal fala que essa tal estrada leva para o "Centro").
Não sou religioso, mas é muito bom ver a diversidade religiosa aceita (em termos) aqui em Piracity. Claro, nem em sonho espero ver um monastério budista ou uma sinagoga aqui no meu bairro, mas já há um número grande de igrejas para os termos da região, uma vez que o povo daqui costuma ser um tanto fechado ao que é estranho à sua cultura. Tem a Igreja Luterana, da religião oficial dos imigrantes alemães, uma Católica, religião da segunda maior corrente de imigrantes daqui - os italianos - e vários templos de diversas igrejas Evangélicas, como Assembléia de Deus, Testemunhas de Jeová e tantas outras. Dizem que também há algo da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos dias (resumindo, Mórmons) por aqui, mas eu nunca vi...
Não há grandes lojas aqui no distrito... O que há de maior na rua principal é um supermercado (um pequeno mercadinho se comparado a um supermercado de cidade grande). Há também uma loja de roupas bem grandinha, mas nunca vi ninguém lá dentro (deve vender algo, afinal, estão abertos a bastante tempo).
Nosso maior arranhacéu tem uns cinco andares. Temos um hospital, Bethesda, do lado do Altemheim Bethesda (Um asilo que daria um belo hotel). Não há agência de correios, só um posto, e a Prefeitura de Joinville jamais deixará esse posto virar agência, pois é uma das exigências necessárias para os ambiciosos planos de emancipação de Pirabeiraba.
Mas eu mesmo custo a me convencer que Pirabeiraba não é tão pequena assim. Lógico que é um caco se comparada ao resto da cidade, mas é o maior bairro de Joinville. Maior em extensão, pois é área rural, e desse modo, é um dos bairros mais desabitados também (isso se já não for o menos habitado).
O curioso é que além dos ranchos dos descendentes de colonos alemães, das casas comuns e das casas históricas também há um imenso parque industrial. Muitas fábricas pertenceriam a Pirabeiraba se ela viesse a se emancipar, além de levar consigo a Estrada Bonita, o coração do turismo rural de Joinville.
Eu moro no "centro de Pirabeiraba", mas quem conhece sabe que é um centro mixuruca, composto pela rua principal, o comércio nela instalado, mais movimentado que o resto do bairro... É aqui no centro que estão o hospital, o posto dos correios, as agências de banco, as igrejas principais, e tem até umas ruas consideradas "nobres", com casarões e tudo.
Apesar de parecer ter o básico, muitos assuntos tem que ser resolvidos no centro de verdade - o centro de Joinville, e mesmo este não é nada parecido com um centro maior, como o de Vitória (ES) ou o de Florianópolis, capital do estado. Isso mantém Pirabeiraba ligada ao resto da cidade.
--------------------------------------------------------------------------
Bem, por hoje chega, o assunto não é muito emocionante e quem dorme cinco horas ontem sente sono mais cedo hoje. Amanhã, que é daqui a uma hora, eu vou encurtar essa descrição de Pirabeiraba e começar logo a discutir, primeiramente, as diferenças de alguém que mora em Pirabeiraba e alguém que mora na área central de Joinville, ou seja, alguém que mora na zona rural e alguém que mora em uma cidade média.
Boa noite povo, durmam bem, e que seus vizinhos não coloquem Britney Spears no último volume enquanto voces tentam dormir.
Hoje eu iria falar sobre tradição e raízes culturais, mais é muito pesado pra um segundo post. Como não quero que o SimpliCidade fique apenas na esfera de quem conhece Pirabeiraba ou Joinville, vou deixar esse segundo post para apresentar um pouco melhor o lugar em que eu estou morando, vai ajudar a criar uma idéia de como é morar em um lugarejo como Pirabeiraba...
Como nunca gostei de história do Brasil, vou pular a parte em que os colonos alemães foram convencidos a deixar a Alemanha pela companhia colonizadora de Hamburgo e vir até o Brasil na Barca Colon, sem nem ter idéia do que veriam por aqui. O fato é que quando chegaram certamente não era nada parecido com o que deviam estar imaginando, fosse para melhor ou para pior. Afinal, Brasil é Brasil, quem é brasileiro sabe.
Morar em Pirabeiraba é bom para quem gosta de um toque medieval na vida. Se houvesse uma paliçada ao redor da vila, então! Só há duas entradas principais na cidade, uma pela mal-afamada BR-101, e a outra pela estrada que leva até Joinville (na verdade não leva "até Joinville", pois Pirabeiraba está em Joinville, então o pessoal fala que essa tal estrada leva para o "Centro").
Não sou religioso, mas é muito bom ver a diversidade religiosa aceita (em termos) aqui em Piracity. Claro, nem em sonho espero ver um monastério budista ou uma sinagoga aqui no meu bairro, mas já há um número grande de igrejas para os termos da região, uma vez que o povo daqui costuma ser um tanto fechado ao que é estranho à sua cultura. Tem a Igreja Luterana, da religião oficial dos imigrantes alemães, uma Católica, religião da segunda maior corrente de imigrantes daqui - os italianos - e vários templos de diversas igrejas Evangélicas, como Assembléia de Deus, Testemunhas de Jeová e tantas outras. Dizem que também há algo da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos dias (resumindo, Mórmons) por aqui, mas eu nunca vi...
Não há grandes lojas aqui no distrito... O que há de maior na rua principal é um supermercado (um pequeno mercadinho se comparado a um supermercado de cidade grande). Há também uma loja de roupas bem grandinha, mas nunca vi ninguém lá dentro (deve vender algo, afinal, estão abertos a bastante tempo).
Nosso maior arranhacéu tem uns cinco andares. Temos um hospital, Bethesda, do lado do Altemheim Bethesda (Um asilo que daria um belo hotel). Não há agência de correios, só um posto, e a Prefeitura de Joinville jamais deixará esse posto virar agência, pois é uma das exigências necessárias para os ambiciosos planos de emancipação de Pirabeiraba.
Mas eu mesmo custo a me convencer que Pirabeiraba não é tão pequena assim. Lógico que é um caco se comparada ao resto da cidade, mas é o maior bairro de Joinville. Maior em extensão, pois é área rural, e desse modo, é um dos bairros mais desabitados também (isso se já não for o menos habitado).
O curioso é que além dos ranchos dos descendentes de colonos alemães, das casas comuns e das casas históricas também há um imenso parque industrial. Muitas fábricas pertenceriam a Pirabeiraba se ela viesse a se emancipar, além de levar consigo a Estrada Bonita, o coração do turismo rural de Joinville.
Eu moro no "centro de Pirabeiraba", mas quem conhece sabe que é um centro mixuruca, composto pela rua principal, o comércio nela instalado, mais movimentado que o resto do bairro... É aqui no centro que estão o hospital, o posto dos correios, as agências de banco, as igrejas principais, e tem até umas ruas consideradas "nobres", com casarões e tudo.
Apesar de parecer ter o básico, muitos assuntos tem que ser resolvidos no centro de verdade - o centro de Joinville, e mesmo este não é nada parecido com um centro maior, como o de Vitória (ES) ou o de Florianópolis, capital do estado. Isso mantém Pirabeiraba ligada ao resto da cidade.
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Bem, por hoje chega, o assunto não é muito emocionante e quem dorme cinco horas ontem sente sono mais cedo hoje. Amanhã, que é daqui a uma hora, eu vou encurtar essa descrição de Pirabeiraba e começar logo a discutir, primeiramente, as diferenças de alguém que mora em Pirabeiraba e alguém que mora na área central de Joinville, ou seja, alguém que mora na zona rural e alguém que mora em uma cidade média.
Boa noite povo, durmam bem, e que seus vizinhos não coloquem Britney Spears no último volume enquanto voces tentam dormir.
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Apresentando o blog (e Piracity também)
Existem "Caipiras Urbanos"? E "Urbanos Caipiras"? O século já é outro, o Novo Milênio não é mais mito, todo mundo fala em romper as fronteiras, superar as distâncias... mas será que a fronteira entre cidade grande e cidade pequena está incluída nesse parâmetro?
O povo das cidadezinhas ou do campo está mesmo muito afastado do pessoal que sobrevive nas megalópoles?? Eu nasci em São Paulo, a cidade mais cosmopolita do Brasil, mas me criei longe de lá, morei em capitais, morei em cidadezinhas mortas, e agora me pergunto se eu penso como alguém de cidade grande ou não.
Como esse é o primeiro post desse blog, (espero que não tenham postado nada enquanto eu estou digitando esse aqui) não vou despejar a essência dele nessas linhas, então deixo no ar apenas as idéias do que vou escrever aqui; Escrever, inclusive, é uma das três funções de ouro que esse blog tem para mim, afinal, sou calouro de Letras (nos posts futuros, saberei dizer se isso é bom ou ruim).
Moro em Joinville, uma cidade bem conhecida para quem sabe onde é Santa Catarina. Acontece que que em Joinville há um bairro que, já faz algum tempo, aspira se emancipar (Nota geográfica: Santa Catarina é o estado com o maior número de emancipações no Brasil. (Nota de Língua Portuguesa: se emancipar significa tornar-se uma cidade)). Nos trabalhos de escola, no cmapo da data, eu colocava, por automatismo, "Pirabeiraba, X do mês tal de 2007". E sempre tinha alguém que falava - Não é Pirabeiraba, é Joinville...
Pirabeiraba é um bairro, aspirante a cidadezinha. Joinville não é uma cidade pequena, mas não é como uma cidade grande que eu usarei nas minhas ponderações. Ainda assim, os outros joinvilenses que não moram no meu bairro já tem uma idéia formada quando escutam Pirabeiraba: a seqüência de palavras "mato-longe-alemão-sítio". Então, esse contraste entre cidade grande e cidade pequena começa aqui mesmo onde moro, mas é o resto de Joinville (urbana) que tem uma idéia bem rural do meu bairro, que, digamos, é uma vila.
Pirabeiraba é um nome indígena. Significa Peixe Brilhante. Estranho, uma vez que não tem nada de brilhante aqui. Não tem ouro, os rios não têm água clara e o clima não ajuda a manter o céu limpo (mas também, alguém que tome o céu como referência para "Peixe Brilhante" não seria nada sensato). Quem quiser saber mais sobre o bairro em que moro pode ficar na curiosidade. Se não ficar na curiosidade, procure na Wikipédia, temos até uma comunidade no Orkut! Mas um pouco do dia-a-dia de Pirabeiraba irá estar presente em cada post em que eu fizer a comparação -cidade grande/cidadezinha-.
Por fim, duas coisas: A idéia peculiar da emancipação de Pirabeiraba gerou um nome alternativo para cá - PIRACITY - dá até aquela idéia de meio-do-mato, mas tem algum toque Urbano...
E, claro, o nome do blog - SimpliCidade... expressa como é viver em um lugar como Pirabeiraba, e ao mesmo tempo expressa como é a própria Pirabeiraba!
Bem, é esse o primeiro post. Desculpem eventuais erros de digitação, e espero não ficar falando sozinho por muito tempo.
Bem vindos à SimpliCidade
Villein
O povo das cidadezinhas ou do campo está mesmo muito afastado do pessoal que sobrevive nas megalópoles?? Eu nasci em São Paulo, a cidade mais cosmopolita do Brasil, mas me criei longe de lá, morei em capitais, morei em cidadezinhas mortas, e agora me pergunto se eu penso como alguém de cidade grande ou não.
Como esse é o primeiro post desse blog, (espero que não tenham postado nada enquanto eu estou digitando esse aqui) não vou despejar a essência dele nessas linhas, então deixo no ar apenas as idéias do que vou escrever aqui; Escrever, inclusive, é uma das três funções de ouro que esse blog tem para mim, afinal, sou calouro de Letras (nos posts futuros, saberei dizer se isso é bom ou ruim).
Moro em Joinville, uma cidade bem conhecida para quem sabe onde é Santa Catarina. Acontece que que em Joinville há um bairro que, já faz algum tempo, aspira se emancipar (Nota geográfica: Santa Catarina é o estado com o maior número de emancipações no Brasil. (Nota de Língua Portuguesa: se emancipar significa tornar-se uma cidade)). Nos trabalhos de escola, no cmapo da data, eu colocava, por automatismo, "Pirabeiraba, X do mês tal de 2007". E sempre tinha alguém que falava - Não é Pirabeiraba, é Joinville...
Pirabeiraba é um bairro, aspirante a cidadezinha. Joinville não é uma cidade pequena, mas não é como uma cidade grande que eu usarei nas minhas ponderações. Ainda assim, os outros joinvilenses que não moram no meu bairro já tem uma idéia formada quando escutam Pirabeiraba: a seqüência de palavras "mato-longe-alemão-sítio". Então, esse contraste entre cidade grande e cidade pequena começa aqui mesmo onde moro, mas é o resto de Joinville (urbana) que tem uma idéia bem rural do meu bairro, que, digamos, é uma vila.
Pirabeiraba é um nome indígena. Significa Peixe Brilhante. Estranho, uma vez que não tem nada de brilhante aqui. Não tem ouro, os rios não têm água clara e o clima não ajuda a manter o céu limpo (mas também, alguém que tome o céu como referência para "Peixe Brilhante" não seria nada sensato). Quem quiser saber mais sobre o bairro em que moro pode ficar na curiosidade. Se não ficar na curiosidade, procure na Wikipédia, temos até uma comunidade no Orkut! Mas um pouco do dia-a-dia de Pirabeiraba irá estar presente em cada post em que eu fizer a comparação -cidade grande/cidadezinha-.
Por fim, duas coisas: A idéia peculiar da emancipação de Pirabeiraba gerou um nome alternativo para cá - PIRACITY - dá até aquela idéia de meio-do-mato, mas tem algum toque Urbano...
E, claro, o nome do blog - SimpliCidade... expressa como é viver em um lugar como Pirabeiraba, e ao mesmo tempo expressa como é a própria Pirabeiraba!
Bem, é esse o primeiro post. Desculpem eventuais erros de digitação, e espero não ficar falando sozinho por muito tempo.
Bem vindos à SimpliCidade
Villein
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